O que é nutrição enteral?


Impossível falar de nutrição enteral, sem entender a nutrição.
Então vamos lá…

Nutrição

A nutrição é um processo biológico onde o corpo (organismo) faz a digestão dos alimentos e absorve os nutrientes para o funcionamento. Pensando como um carro, os alimentos seriam o combustível. O carro não anda sem combustível e o nosso corpo não funciona sem alimentação.

E temos 3 formas de oferecer esse combustível ao nosso corpo, a nutrição via oral, enteral ou parenteral. A forma via oral sendo o mais fisiológico para o nosso organismo. E por isso nos alimentamos várias vezes ao dia com diferentes nutrientes.

Mas por diversas intercorrências, adoecemos, ou somos surpreendidos por acidentes durante o nosso percurso. E não conseguimos mais nos alimentar pela boca. Como fazer para nutrir esse organismo e não deixar a nossa máquina (corpo) parar?

Nesse caso vamos para segunda via mais fisiológica ao organismo, chamado Nutrição Enteral ou Dieta Enteral.

Dieta Enteral

Essa dieta enteral é liquida, e fornece todos os nutrientes necessários para nutrir o paciente.

Assim como a nutrição via oral necessita de arroz, feijão, carne, legumes, frutas, leite entre outros. A composição da dieta enteral também. Então nada mais é, do que todos os nutrientes no mesmo liquido, e será ofertada em diferentes horários durante o dia. Assim como a alimentação oral.

Você já ouviu falar ou vivenciou com pessoas próximas dizendo que o paciente não conseguia comer e tiveram que passar uma sonda para se alimentar? Parece assustador não parece?

Mas a nutrição enteral não é um bicho de sete cabeças e pode salvar vidas, ou reduzir os riscos de morte, por uma desnutrição, por aumentar a imunidade e não permitir que infecções aconteçam.

Comparando novamente com a alimentação via oral, a alimentação enteral é prescrita conforme o organismo do paciente necessita.

Se hoje queremos ganhar peso, precisamos comer mais carboidratos, que oferecem mais energia. Como o arroz, macarrão, açúcar, pão, entre outros. Na dieta enteral chamamos de hipercalórica. Então a quantidade de energia será maior e pode ser de 1.500 calorias à 2.000 calorias na embalagem.

Pensando na dieta industrializada.
Quando queremos cuidar do nosso músculo, ingerimos carnes, ovos, leite. Na dieta enteral é chamada de hiperproteica. Mas em alguns casos, precisamos apenas manter o corpo com nutrientes, sem acréscimos.
Seria uma alimentação equilibrada para manter o nosso peso corporal por exemplo. Novamente na dieta enteral, será normocalórica e normoproteica.

Tipos de dieta enteral

A dieta enteral pode ser ofertada de forma industrializada ou caseira.

Na dieta enteral caseira a nutricionista irá prescrever varias preparações com alimentos “in natura”, pensando na composição de carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas e minerais e será coada até ficar liquida.

Essa dieta será prescrita para nutrição enteral domiciliar. Pois envolve manipulação dos alimentos. Com áreas e utensílios domésticos específicos somente para essa dieta enteral caseira.

Na dieta enteral industrializada ela se encontra de apresentação de pó, liquida sistema aberto com embalagem de 1 litro ou sistema fechado, sendo a dieta pronta em embalagem que não necessita de manuseio, já está pronta para ser administrada no paciente. E não é necessário coar. Apenas conforme marcas, podem ser fracionadas ao longo do dia.

Podemos pensar ainda na versão enteral modulada, que pode ser a dieta enteral caseira acrescentando a dieta industrializada na versão pó. Por módulo de proteína, carboidrato,
fibras ou lipídios.

A melhor opção entre dieta caseira ou industrializada será prescrita pelo profissional responsável. Nutricionista ou médico.

A dieta enteral passa ser menos assustadora, porque temos a certeza que esse paciente terá todo o nutriente que ele precisa. E pensado na condição que ele se encontra.

E para escolha da dieta enteral, entre caseira ou industrializada, nos nutrientes que são necessários para aquele paciente, devem se adequar conforme a via de acesso.

As vias de acesso da dieta enteral


Olhando novamente o nosso corpo como um carro, temos peças, filtros até o funcionamento do conjunto. O nosso corpo também passa por filtros. Já imaginou comer, por exemplo, um alimento frito, sem passar pelo ácido do estomago e cair direto no intestino. Diarréia na certa.

Quando nos alimentamos de forma via oral, passamos por todo o processo de digestão, desde a saliva até a porção final do intestino. E para entender melhor esse raciocínio, vamos conhecer as diferentes vias de acesso.

Nutrição enteral via nasogástrica, nasojejunal, gastrostomia ou jejustomia. Ou uma opção pouco utilizada, a oroentérica. E para escolha da via de acesso, o diagnóstico, condições clínicas e a expectativa da duração da
terapia nutricional, esse conjunto é quem determina e melhor via de acesso.

O acesso nasogástrico é passado uma sonda plástica de material flexível do nariz até o estômago. Para pacientes que não necessitam de um longo período de nutrição enteral.

Acesso nasojejunal, é a passagem da sonda do nariz até o início do intestino. Acesso via Gastrostomia é necessário um procedimento cirúrgico para inserir uma sonda alimentar diretamente no estômago. Indicado para nutrição enteral de longa terapia.

Acesso via Jejunostomia também através de um procedimento cirúrgico, com a uma sonda alimentar posicionada no início do intestino delgado. Indicado para nutrição enteral de longa terapia.

Prós e contras

Após conhecermos as vias de acesso e as opções de dietas caseiras e industrializadas. Vamos para os prós e contras.

Agora que você já sabe que a dieta caseira é elaborada com alimentos in natura, que deve ser coado para passar no tubinho, chamado de sonda. Já imaginou quantas vezes esse alimento deve ser coado, para não entupir a sonda?

Isso mesmo, várias vezes. Mas estamos falando de alimentos naturais com seus nutrientes na forma mais pura.
Mas a indústria teve que estudar muito, passar por vários testes e mais estudos para chegar nesses nutrientes e ser absorvido pelo nosso organismo. E te garanto. Ela conseguiu. Hoje graças as grandes marcas no mercado de dietas enterais. Essa alimentação está cada dia
mais adequada e individualizada para cada condição do paciente.
Encontramos dietas enterais com fibras, para melhor funcionamento do intestino. Assim como as nossas cascas de frutas, e ingredientes como aveia por exemplo.

Dietas para diabetes mellitus, pensando no controle glicêmico desse paciente. Dietas para pacientes renais, hepáticos, cardíacos, ricas em proteínas ou pobres em proteínas, conforme a necessidade.
Imagina que existem dietas enterais até para quem tem lesão na pele, isso é incrível.

A cada progresso na medicina e na descoberta de doenças ou condições, a industria acompanha essa evolução e trás toda tecnologia e inovação nas dietas com todos os nutrientes específicos para diferentes públicos.

Lembra quando falei das vias de acesso e porque devemos pensar na dieta. Aqui vai mais uma curiosidade. O nosso intestino consegue reconhecer e absorver os nutrientes, conforme o processo de digestão anterior. E todo alimento tem uma acidez que ele da forma mais inteligente consegue tirar o que tem de melhor naquela alimentação. Mas imagina, comer
uma costela no final de semana, aquela com muita gordura devido a disgestão, hoje um organismo nas suas condições normais de funcionamento, consegue absorver e jogar fora o que não serve. Agora pensando na dieta enteral, escolhendo uma opção com gorduras, e
administrando diretamente numa via de acesso direto no instestino, que não passou por digestão nenhuma. Ai ai ai não vai dar certo. Mais uma vez diarréia na certa.

Até nesse ponto a indústria pensou, com o cuidado de produzir dietas enterais com o que chamamos de osmolaridade, é entender que a dieta líquida pode ser absorvida pelo intestino sem prejudicá-lo. E fazendo o mais parecido possível que o nosso arroz, feijão, carne e legumes. Só que em versão liquida, para nutrição enteral.
Então a escolha dessa dieta tem sim a obrigação de ser cuidadosamente prescrita para cada via de acesso. E a nutricionista responsável pelo acompanhamento do paciente. Tem sempre a melhor opção.

Quando conhecemos a dieta enteral industrializada o primeiro pensamento é… nossa coitado do paciente, vai ficar no leite o dia inteiro. Devido à aparência. Mas espero que com essa leitura, possa ter transmitido que não… O paciente com dieta enteral está recebendo sim, todos os nutrientes de uma refeição ou alimentação via oral.

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